Academia Mineira de Medicina

Médicos, acadêmicos

Telefone celular no centro cirúrgico

A explicação é que as ondas eletromagnéticas emitidas por estes aparelhos interferem com os sensíveis equipamentos eletrônicos das aeronaves, colocando em risco o seu funcionamento.
Segundo normas de órgãos de segurança, é proibido usar telefones celulares em postos de gasolina durante o abastecimento, pois essas mesmas ondas eletromagnéticas podem produzir incêndio através dos vapores dos combustíveis.

Segundo o órgão federal de controle de trânsito de veículos automotores no Brasil, é proibido dirigir esses veículos falando em telefones celulares. A razão dessa proibição é já estar suficientemente provado que o motorista tem sua concentração perturbada pela conversa nesses aparelhos, ficando mais sujeito a acidentes do que os que não o utilizam.

Num concerto musical, se um telefone celular soa, o maestro costuma interromper a apresentação porque aquele som irritante quebra a concentração dos músicos, indispensável a uma boa performance.

Hoje, até nos cinemas se solicita o desligar desse útil porém aborrecidíssimo aparelho, quando mal utilizado.

Tudo isso deixa uma pergunta no ar: como foi possível a sobrevivência da humanidade, até hoje, sem o telefone celular?...

Em diversos consultórios médicos existem solicitações explícitas aos clientes para que desliguem seus celulares durante a consulta. Pois, com freqüência o médico tem sido interrompido numa escuta importantíssima do paciente, numa instrução fundamental para um procedimento cirúrgico ou terapêutico, ou num curativo pós-operatório, tudo extremamente essencial para o bom tratamento de um enfermo, porque o telefone celular do paciente tocou e ele interrompeu tudo para um papo descontraído e totalmente descortês para com o profissional que o atendia.

Pode-se comparar o vício do celular ao vicio do cigarro: incomoda a todo mundo, mas o seu usuário (ou seria vítima?) não pode se desgrudar dele. Nem tem a sensibilidade de, se for vitalmente indispensável, deixa-lo no modo silencioso, onde a vibração do aparelho somente será percebida por ele. E ele poderá conferir a ligação quando o momento for mais apropriado.

Essas considerações são feitas para abordar uma questão muito mais grave: o uso de telefones celulares pelos médicos, dentro de um Centro Cirúrgico.

Nas salas de cirurgia existem aparelhos eletrônicos de alta precisão. A anestesia utiliza gases altamente inflamáveis. A equipe cirúrgica, para um perfeito desempenho de suas funções, precisa de uma concentração muitas vezes superior à de um motorista de automóvel, e de muito maior importância do que a de um músico ou de um ator. Afinal, da concentração desta equipe depende a vida e a saúde de uma pessoa humana. Pessoa esta que se colocou, confiantemente, nas mãos daquela equipe.

Por isso é PONTO DE VISTA DA ACADEMIA MINEIRA DE MEDICINA que se faz urgente os Conselhos de Medicina estabelecerem proibições rígidas para coibir esse uso e abuso que são totalmente injustificáveis.

Em caso de urgência, sempre existe um telefone no Centro Cirúrgico que pode ser atendido por um funcionário daquele lugar e que esteja fora da equipe cirúrgica. E este transmitirá o recado a quem for solicitado.

É fundamental não deixar que a tecnologia fique acima da dignidade da pessoa humana!